Acervo
Acervo artístico
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Chafariz dos Jacarés
O maior destaque artístico do Passeio é sem dúvida o Chafariz dos Jacarés, fonte abastecida no passado pelo Chafariz da Carioca, por intermédio de canos subterrâneos. Localizada na extremidade do jardim, a fonte é composta por um largo tanque de cantaria e por peças em bronze, fundidas por Mestre Valentim na Casa do Trem.

O Chafariz dos Jacarés, também conhecido como Fonte dos Amores, foi construído em um pequeno outeiro artificial formado de pedras presas por plantas e arbustos. Sobre as pedras se encontravam pousadas três aves pernaltas que jorravam água pelos bicos. Na base, dois jacarés entrelaçados lançavam água pelas bocas para um grande tanque. Completava o conjunto um coqueiro de ferro, descrito por vários viajantes que visitaram a cidade no período colonial. Segundo o escritor Joaquim Manuel de Macedo, o vento destruiu os galhos do coqueiro, que acabou sendo retirado do parque, bastante deteriorado, em 1806, a mando do vice-rei Conde dos Arcos. Em seu lugar foi instalado, em um pedestal de granito, um busto da deusa Diana em mármore.

O coqueiro de ferro faz parte de uma história romântica registrada por Valentim no conjunto do chafariz. Uma antiga lenda contava que o vice-rei d.Luís de Vasconcelos apaixonara-se por uma moça pobre chamada Suzana que vivia nas redondezas do jardim, em uma casa ladeada por um coqueiro.

O Chafariz dos Jacarés do Passeio Público teve papel importante na evolução da arte no Brasil, por representar a primeira tentativa de estilização de animais da fauna nacional. Com esta obra, Valentim torna-se um dos precursores da nacionalização da arte brasileira. Não só a Fonte dos Jacarés, mas todos os chafarizes executados pelo mestre se afastaram da influência portuguesa. Outra inovação de Valentim é o fato dele ter feito a água sair da boca de animais e não das tradicionais carrancas. Para José Mariano Filho, a idéia de fazer a água jorrar da boca de animais constitui por si só, uma inovação, sob o ponto de vista concepcional.

Do conjunto original do Chafariz dos Jacarés não restou quase nada, a não ser o próprio corpo da fonte e os jacarés. Não se sabe qual foi o fim do busto de Diana, que até bem pouco tempo atrás adornava o chafariz. As aves pernaltas (chamadas também de garças, saracuras ou íbis) foram levadas em 1905 para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a pedido do então diretor da instituição, João Barbosa Rodrigues.

O Chafariz dos Jacarés no final do século XIX
O Chafariz dos Jacarés no final do século XIX (BN).
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Fonte do Menino
Subindo-se em direção ao terraço, vê-se, nas costas do Chafariz dos Jacarés, a Fonte do Menino, outra criação de Valentim. Originalmente, a fonte era composta por um menino de mármore segurando um cágado, que por sua vez lançava água para um barril de granito. A legenda Sou útil, ainda que brincando acompanhava a escultura. Segundo historiadores, esta obra era uma tentativa de dotar a cidade de mais pontos d'água.

A escultura do menino da bica, chamada de gênio de mármore pelo historiador Monsenhor Pizarro, foi substituída por uma cópia de chumbo, fundida em 1841.

A água passou a sair de um jarro (hoje inexistente), localizado nas mãos do menino. A réplica da escultura foi criticada por muitos historiadores, pois foi confeccionada com asas de borboleta e com o dobro do tamanho da original. A última parte do barril e o degrau de granito também foram esculpidos em 1841.

No conjunto da fonte vê-se ainda o gradil de ferro que une o bloco à pilastra, e o escudo rococó em pedra de Lioz com as armas do vice-rei de d.Luís de Vasconcelos.

A Fonte do Menino em 2000
A Fonte do Menino em 2000.
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As Pirâmides
Chamam a atenção de quem visita o Passeio duas pirâmides triangulares localizadas dentro de um lago, em frente ao Chafariz dos Jacarés. As pirâmides de granito carioca foram esculpidas por Mestre Valentim em 1806, no governo do Conde dos Arcos, e trazem, em medalhões de mármore branco, as inscrições À Saudade do Rio (esq.) e Ao Amor do Público (dir.).

No artigo As pirâmides triangulares de Mestre Valentim, publicado no jornal O Estado de São Paulo de 10/12/1966, Maria Eugênia Franco, diz que as agulhas do Passeio Público, por sua forma e característica não figurativa, podem ser consideradas precursoras da escultura abstrata: Com elas, Valentim da Fonseca emancipou-se totalmente, de certo pela primeira vez na arte brasileira, da preocupação figurativa. Para a autora, Mestre Valentim valorizou as pirâmides ao confeccioná-las em pedra, unindo formas retas a suaves curvas. Esperamos que as pirâmides triangulares de Mestre Valentim possam um dia ser amplamente acolhidas, em sua nobre linguagem de símbolos e belezas plásticas, escreveu ela.

As pirâmides de Valentim permaneceram cobertas por um espesso tapete de hera durante muitos anos, até que José Mariano Filho chamou a atenção das autoridades públicas sobre aquela situação. Em 1948 o tapete de hera das pirâmides, registrado em dezenas de fotografias, foi finalmente retirado. As pirâmides de granito foram as últimas obras de Valentim para o Passeio.

Uma das Pirâmides do Passeio
Uma das Pirâmides do Passeio.
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Portão de entrada e Medalhão de d. Maria I
Outro destaque do Passeio é seu belo portão de ferro, instalado na entrada do parque (Rua do Passeio) e executado sobre dois pilares de pedra lavrada. A peça, em estilo rococó, foi concebida por Mestre Valentim e apresenta elementos típicos da obra do artista, como guirlandas de rosas e margaridas. O portão de ferro é ornamentado também por plumas e folhagens estilizadas, e rocalhas.

O pórtico do Passeio em 1835, numa gravura de Karl Von Theremin.
O pórtico do Passeio.


Por cima dele encontra-se um medalhão de bronze dourado que traz, no lado interno, as armas da cidade e, no externo, as efígies da rainha d.Maria I e de seu marido, d.Pedro III. Na face da monarca portuguesa lê-se o dístico Maria Iª et Petrus III Brasiliae Regibus 1783.

As armas da cidade do RJ substituíram as armas do Império, exibidas no passado no medalhão. Além de seu valor artístico, o medalhão de d.Maria I tem grande valor histórico por ser uma das poucas referências em via pública, no Brasil, à memória da rainha de Portugal, que viria a morrer no Rio de Janeiro em 1816.

O Medalhão de d.Maria I
O Medalhão de d.Maria I.
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As estátuas das Quatro Estações
No interior do Passeio encontra-se também um grupo de estátuas de ferro trazido de Paris representando as estações do ano. As esculturas foram desenhadas por Mathurin Moreau e fundidas em 1860 no Val D'Osne. Até pouco tempo atrás as Quatro Estações do Passeio estavam desfalcadas, pois a estátua que representa o Inverno se encontrava desaparecida. Em março de 2000, o advogado Francisco José Andrade Ramalho, um apaixonado pelos monumentos do Rio, descobriu a estátua do Inverno nos jardins do Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, no bairro de Santa Teresa. Em setembro de 2000, a estátua do Inverno, que pesa 500 quilos, foi levada de volta ao Passeio, completando o grupo das Quatro Estações. Segundo Ramalho, o Inverno está representado pela figura da deusa romana Vesta, protetora dos lares e templos e associada ao fogo sagrado. A estátua do Inverno do Passeio possuía originalmente uma lamparina.

A estátua do Inverno
A estátua do Inverno foi encontrada em Santa Teresa.
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Bustos
No início do século XX, o Passeio passou a ser ornamentado por bustos de personalidades brasileiras, esculpidos por artistas como Rodolfo Bernardelli, Humberto Cozzo, Eduardo de Sá, Paulo Mazzuchelle, Honório Peçanha e Correia Lima, entre outros. O primeiro busto instalado no parque foi o do poeta Gonçalves Dias, inaugurado a dois de junho de 1901. Em 1912, quando da inauguração do busto do jornalista Ferreira de Araújo, o orador oficial da cerimônia, Félix Pacheco, se referiu ao Passeio como um parque de hermas.

O primeiro busto instalado no Passeio foi o do poeta Gonçalves Dias
O primeiro busto instalado no Passeio foi o do poeta Gonçalves Dias


Hoje, no Passeio se encontram os seguintes bustos:

- Mestre Valentim (escultor: J. R. Moreira Júnior)
- Castro Alves (escultor: Eduardo de Sá)
- Chiquinha Gonzaga (escultor: Honório Peçanha)
- Júlia Lopes de Almeida (escultor: Margarida Lopes de Almeida)
- Pedro Américo (escultor: Paulo Mazzuchelle)
- Gonçalves Dias (escultor: Rodolfo Bernardelli)
- Vitor Meirelles (escultor: Eduardo de Sá)
- Alberto Nepomuceno (escultor: Rodolfo Bernardelli)
- Olavo Bilac (escultor: Humberto Cozzo)
- Rodolfo Bernardelli (escultor: Correia Lima)
- Irineu Marinho (escultor: Benevenuto Berne)
- Raimundo Correia (escultor: Honório Peçanha)
- Olegário Mariano (escultor: Humberto Cozzo)
- Hermes Fontes (escultor: Humberto Cozzo)
- Ferreira de Araújo (escultor: Rodolfo Bernardelli)
- Betencourt da Silva (escultor: Modestino Kanto)
- Moacir de Almeida (escultor: Honório Peçanha)
- José Paulo Silva (escultor: Carlos del Nigro)
- Francisco Braga (escultor: Paulo Mazzuchelli)
- José Plácido de Castro (escultor: Armando Schnoor)
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Busto de Mestre Valentim
A idéia de dar ao Passeio um busto de seu criador surgiu em 1899, quando Araújo Vianna, professor de História da Arquitetura da Escola de Belas Artes, escreveu um artigo no jornal A Notícia, ressaltando a necessidade de se homenagear o maior artista colonial do Rio de Janeiro. O artigo foi ilustrado por um desenho que retratava Valentim, executado por Lucílio de Albuquerque a partir da tela "Reconstrução do Recolhimento do Parto", na versão de Leandro Joaquim. Segundo Araújo Vianna, era uma ingratidão deixar viver no olvido a memória de um artista, que foi uma legítima glória nacional.

Busto de Valentim
O Busto de Valentim foi inaugurado em 1913


Só em 1912, o projeto do busto de Valentim sairia do papel, por iniciativa de Júlio Furtado, então inspetor de Matas e Jardins do Distrito Federal. A idéia de Furtado era inaugurar o monumento no dia do centenário da morte do artista, a 1º de março de 1913.

O busto foi executado por Joaquim Rodrigues Moreira Júnior, professor da Escola Normal de Artes e Ofícios e da Escola Técnica Nacional. Moreira Júnior fora aluno de Rodolfo Bernardelli e João Zeferino da Costa, e para executar a peça, se inspirou no desenho do artista feito por Lucílio de Albuquerque.

No dia da inauguração do monumento, 01/03/1913, o Passeio foi inteiramente ornamentado com bandeiras e galhardetes. Várias autoridades e personalidades ilustres compareceram à cerimônia, como o escultor Rodolfo Bernardelli, o pintor Eliseu Visconti, o inspetor Júlio Furtado, além de nomes das artes e letras, como Araújo Vianna, Marques Júnior, Oscar Lopes e Leal de Sousa. O poeta Goulart de Andrade foi o orador da solenidade. A banda do Corpo de Bombeiros executou a protofonia de O Guarani, de Carlos Gomes, enquanto senhoras atiravam pétalas de rosas no monumento. Em seu discurso, Goulart de Andrade salientou que Valentim foi um consciente fator de emancipação política de seu país, porque trouxe para a vida, congênita no sangue, a surda revolta dos subjugados. Segundo o Jornal do Comércio, um homem negro tomou a palavra e agradeceu às autoridades presentes pela iniciativa de homenagear Mestre Valentim.

Lápide do Túmulo de Valentim, na Igreja do Rosário
Lápide do Túmulo de Valentim, na Igreja do Rosário


Terminada a cerimônia, o grupo dirigiu-se para a Igreja de N.S.do Rosário e São Benedito, para a inauguração da lápide do túmulo de Valentim. Durante todo o dia dezenas de pessoas visitaram o Passeio e o busto. Os demais lugares da cidade onde existiam trabalhos de Valentim foram sinalizados por fitas verdes e amarelas, com grandes laços.

O busto de Valentim, em bronze, possui 60cm de largura e 60cm de altura, enquanto a base, de granito, possui 60cm de largura e 2m de altura.
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Acervo diverso
Completam o acervo do Passeio dois quiosques de madeira, restaurados em 2000, em referência aos velhos quiosques que existiam na cidade no início do século, e a ponte de ferro da Fundição Val d'Osne, e uma outra em argamassa, ambas imitando galhos de árvore, instaladas na reforma Glaziou.

Ponte de ferro
Ponte de ferro revestida de cimento imitando galhos de árvore.


Algumas peças que integravam o acervo do Passeio não podem mais ser vistas no jardim, como a Fonte do Velho, que se localizava dentro de um lago, à direita do portão principal. A peça, também conhecida como Velho com ânfora ou Fonte de Tritão, foi executada em bronze por Nicolina Vaz de Assis, considerada a primeira escultora brasileira. A Fonte do Velho do Passeio Público foi roubada em outubro de 1993. O velho (ou Netuno) levava no ombro uma ânfora, da qual a água caía para o lago.

Em 1896 foi instalada no interior do Passeio uma fonte luminosa, de origem e autor desconhecidos, e de curta existência.

quiosque
O Quiosque em referência aos que existiam na cidade no passado.
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Referências
Tela de N.S. da Boa Morte
CASA DO TREM

Grande parte das peças que compunham o Passeio Público foi fabricada na Casa do Trem, erguida em 1792 por Gomes Freire de Andrada ao lado do Forte de Santiago. A Casa do Trem foi construída para servir de depósito de pólvora, armas e munições. Ali também era reaparelhado todo o tipo de material bélico utilizado pelas fortalezas da cidade. Foi d.Luís de Vasconcelos quem primeiro utilizou a Casa do Trem para outros serviços, como ferraria, serralheria, forjas, lataria etc. Nas oficinas da Casa do Trem eram fabricados chafarizes, portões, trabalhos artísticos, carros alegóricos e ornatos de bronze.

Hoje a Casa do Trem integra o conjunto de edifícios históricos que formam o Museu Histórico Nacional. Em 1987 iniciaram-se as obras de restauração da Casa do Trem, na ocasião ameaçada de ruir. Os trabalhos foram concluídos em 2000 e toda a arquitetura original do edifício foi recuperada. A Casa do Trem foi então destinada a abrigar a valiosa coleção de Numismática do Museu. Já estão ali instalados o Centro de Estudos e a Biblioteca. Em breve a velha Casa do Trem apresentará uma exposição permanente contando a história do dinheiro no mundo e, em especial, no Brasil.

Casa do Trem (Museu Histórico Nacional)
Praça Marechal Âncora, s/n
Tel.: (21) 3299-0324 (Recepção)
Funcionamento:
Terça a Sexta-feira das 10h às 17h30
Sábados, Domingos e Feriados das 13h às 17h
mhn.museus.gov.br

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Aves pernaltas
AVES PERNALTAS

Quando levadas para o Jardim Botânico, as aves pernaltas, fundidas separadamente em liga de bronze, foram alojadas inicialmente no edifício do Museu Botânico, ocupando em seguida o Lago de Lótus e o prédio da diretoria do parque. Hoje, as aves pernaltas integram o Memorial Mestre Valentim, instalado na antiga estufa das violetas do Jardim Botânico. O Memorial, inaugurado em 1997, foi criado para dar maior proteção e condições de conservação às peças originais de Mestre Valentim, como as estátuas de Eco e Narciso e as esculturas das aves pernaltas.

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