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Passeio Público - Diário da Restauração
Matéria publicada Mais Passeio - Ano 2 - Nº24 - fevereiro de 2004

O Passeio Público já teve as obras de restauração iniciadas
O que toda a comunidade de arquitetos, historiadores, paisagistas, pesquisadores, arqueólogos, museólogos e apaixonados pela história do Rio mais esperavam finalmente teve início: a restauração completa do Passeio Público, o primeiro parque construído no Brasil e um dos primeiros parques públicos do mundo.

Depois de anos sofrendo todo tipo de depredação, vandalismo e abandono, o Passeio vai finalmente sair do estado de torpor em que se encontrava recentemente. A restauração do parque teve início no dia cinco de janeiro de 2004, um pouco antes do absurdo roubo do busto de Mestre Valentim, criador do Passeio.

A agonia que viveu o jardim será agora recompensada: está acontecendo no Passeio a maior reforma pela qual já passou um parque brasileiro. A restauração do Passeio Público será completa, envolvendo a recuperação paisagística, serviços de drenagem, recuperação das obras de arte de autoria de Mestre Valentim (chafarizes, pirâmides, portão principal), restauração de elementos instalados na reforma Glaziou (bancos, postes, gradis), recuperação do lago e reativação da cascata, implantação de iluminação especial (até mesmo subaquática), execução de trabalhos de arqueologia, tratamento fitosanitário, nivelamento do piso, recuperação dos canteiros, retorno da estátua do Tritão, entre outras ações.

É um mega-projeto, orçado em R$ 1.499.595,90 e com prazo de duração de oito meses. Ao todo, 30 técnicos estão envolvidos na obra, divididos em uma equipe multidisciplinar formada por profissionais da Fundação Parques e Jardins, FB Engenharia e IPHAN. Há também a participação de consultores especiais, como historiadores e paisagistas.

Durante os próximos meses, até a conclusão das obras em agosto, a Mais Passeio vai acompanhar toda a restauração do Passeio Público e divulgar a cada edição da revista eletrônica a evolução dos trabalhos. A partir desta edição, acompanhe o Diário da Restauração, capítulo a capítulo.
Quinta-feira, 11 de março de 2004

Membros da equipe de restauração do Passeio trabalham em um
container localizado à esquerda de quem entra no parque
Quem percorre a Rua do Passeio e procura visualizar o parque de Mestre Valentim por enquanto só consegue ver tapumes. Do lado de fora do jardim, placas da Prefeitura e FPJ divulgam que o Passeio encontra-se em restauração. Ao entrar-se no jardim, a primeira impressão é que trata-se de outro parque: o lago foi esvaziado, a vegetação rasteira foi retirada, assim como os bustos e os bancos. O parque transformou-se enfim em um grande canteiro de obras.

Um container localizado à esquerda de quem entra no jardim funciona como escritório da equipe de restauração. Ali, os técnicos da Fundação Parques e Jardins e da FB Engenharia estudam plantas, mapas e relatórios.

A chefe da Divisão de Monumentos da FPJ, Vera Dias Oliveira, acompanha a equipe da Mais Passeio em uma volta pelo jardim. A arquiteta explica que as obras foram iniciadas com a parte de infra-estrutura: drenagem e iluminação.

Para realizar os trabalhos de drenagem
foram feitas escavações no contorno imediato do gradil
Drenagem
Até os dias de hoje não existia uma rede de drenagem no Passeio Público. Junto ao lago havia ramais (tubos) que levavam a água de alguns trechos para o lago e dali para a galeria de rua. Desta forma, as águas das chuvas esgotavam-se por infiltração, empossando vários trechos do parque.

A implantação do sistema de drenagem percorrerá todas as alamedas do parque (os caminhos de saibro). Os trabalhos foram iniciados nos trechos de contorno imediato do jardim (junto ao gradil que dá para as Ruas do Passeio e Luís de Vasconcelos), justamente pela certeza de que naquele local não houve nenhuma construção importante nos períodos de Mestre Valentim e Glaziou.

Desta forma, foram iniciadas as escavações, que serão aterradas após a confecção de canaletas de madeira, que depois serão concretizadas. As galerias receberão as águas provenientes de diversas caixas (que serão construídas) para captar a água e direcioná-la para um vertedouro de deságüe que chegará à galeria na rua Teixeira de Freitas.

As escavações estão seguindo o projeto que tem como base a topografia do parque. A altura máxima de escavação e de 1,50m. Prevê-se que até maio a drenagem esteja concluída.

Peças arqueológicas já encontradas nas escavações no Passeio
Achados Arqueológicos
Segundo Vera Dias, a etapa de escavação para drenagem é uma das mais delicadas da obra: “Todas as escavações no parque são importantes na busca da história do mesmo. Esse serviço terá acompanhamento de arqueólogos”.

Em tão pouco tempo de escavações e mesmo com a pouca altura, já foram encontradas diversas peças de valor arqueológico, como cacos de louça, peças de cerâmica e moedas.

A parte “pesada” mesmo de prospecção arqueológica ocorrerá nos fundos do jardim, na região próxima ao terraço. Esta área foi escolhida por concentrar a maior parte dos artefatos arqueológicos passíveis de serem descobertos na área do Passeio. “Estamos falando da possibilidade de descoberta da muralha do terraço oriunda do século XVIII e que provavelmente foi aterrada intacta quando da construção da Av. Beira Mar em 1906. Estamos falando também da possibilidade de encontrarmos vestígios das fundações dos pavilhões de Valentim, que foram provavelmente as mesmas dos pavilhões construídos a partir de 1821 nos mesmos locais. Estas são grandes estruturas que merecem um projeto de intervenção museológica que estude a maneira mais adequada de exposição destas possíveis ruínas”, explica Wallace Caldas, da Ópera Prima & Restauro, empresa responsável pelo projeto de restauração do parque.

Para trabalhar nesse propósito será formada uma equipe de dois arquitetos, dois estagiários e dois voluntários. Se forem encontrados vestígios, a idéia é expô-los em uma espécie de museu sítio-arqueológico.

O lago foi esvaziado e teve o entulho removido


A vegetação rasteira que ocupava boa parte do parque foi
retirada porque descaracterizava o paisagismo de Glaziou

Paisagismo
A orientação geral para os projetos de restauração do Passeio, oriundas de reuniões do grupo de trabalho, composto por técnicos pertencentes à FPJ, ao IPHAN e à empresa Ópera Prima, é para que se privilegie, como referência, o projeto Glaziou. Do jardim de Glaziou sobrevivem ainda grande parte das espécies arbóreas assim como o desenho de seus canteiros. Permanecem também as estátuas das quatro estações e a ponte de ferro, assim como elementos construtivos do jardim de Valentim que Glaziou preservou (pórtico de entrada, Fonte dos Amores e pirâmides). A orientação geral adotada pelo Projeto de Paisagismo e pelo Projeto de Intervenção é a de respeito ao partido de Glaziou, de recuperação do desenho de seus canteiros.

O mobiliário do jardim será todo trocado. O tento em torno dos bancos, delimitatório do recorte nos canteiros, será suavizado através de ângulos curvos. Para a definição da locação dos tentos, foram buscadas fotos antigas e verificados pequenos semicírculos nos locais onde estavam os bancos. Nos locais onde foram constatados por fotos os bancos, foram repetidas a composição. Vera Dias explica: “Como não tínhamos muitas fotos com essa definição locamos 25 bancos, em função da utilização do parque, com a mesma composição. Nos trechos sem bancos, iremos repetir o traçado encontrado nas alamedas”.

Os trabalhos de restauração nas paredes do lago também já foram iniciados. O lago foi esvaziado e desassoreado com a retirada de todo o entulho. Nos próximos 15 dias, devem começar as restaurações em outros pontos do parque.

Os sigonios, vegetação rasteira e de forração, que ocupavam boa parte do parque, foram retirados pois descaracterizavam o paisagismo de Glaziou. O tratamento fitosanitário de algumas espécies vegetais também já teve início.
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